Resumo Tese Mestrado: A presença de resíduos medicamentosos em alimentos de origem animal e no ambiente constitui uma preocupação global em termos de saúde pública e contaminação ambiental. Este estudo analisou a ocorrência de resíduos medicamentosos em 526 amostras de seis matrizes distintas (carne, leite, solo, cama, pastagem e ração) associadas a sistemas de produção de pequenos ruminantes da região Centro de Portugal. A deteção e identificação de resíduos medicamentosos foi realizada por cromatografia líquida de ultraelevada eficiência acoplada à espectrometria de massa de alta resolução com analisador de tempo de voo, uma metodologia de alta resolução, enquadrada no âmbito do Regulamento (UE) 2021/808 da Comissão Europeia. Os resultados indicaram uma prevalência de resíduos de 9,24% na carne e 11,76% no leite, embora não tenham sido observadas diferenças estatisticamente significativas. A prevalência de resíduos foi significativamente superior nas amostras de carne de caprino (14,17%) do que nas amostras de carne de ovino (6,19%). Foram detetados resíduos em 15% das amostras de leite de cabra e 10,77% das de leite de ovelha, sem diferenças estatisticamente significativas entre as duas espécies. A deteção de resíduos de medicamentos veterinários sujeitos a utilização especial ("off-label"), como o Hidroximebendazol no leite, realça a escassez de medicamentos veterinários para utilização em pequenos ruminantes. Apesar da deteção de vários compostos, todas as amostras de origem alimentar estavam em conformidade com os Limites Máximos de Resíduos (LMR) estabelecidos pela legislação europeia. A análise de resíduos no ambiente e na alimentação animal revelou uma contaminação de 35,71%, 15.38% e 5.41% das amostras de ração, solo e cama, respetivamente. Em contrapartida, não foram detetados resíduos nas amostras de pastagem. Foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre as diferentes matrizes ambientais. Os resultados demonstraram que, os produtos de origem animal da Região Centro cumprem os LMR definidos, confirmando a segurança destes produtos para o consumidor. Contudo, a presença de resíduos nas matrizes ambientais e o uso “off-label” de antimicrobianos revelaram lacunas na terapia de pequenos ruminantes e persistência ambiental, fatores que podem contribuir para a resistência antimicrobiana. Estes dados reforçam a necessidade de uma abordagem de “One Health” para mitigar a presença de resíduos antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva.
Ver PublicaçãoResumo Tese Mestrado: Existe uma preocupação crescente de que o uso de antimicrobianos (UAM) na produção pecuária possa contribuir para o desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos (RAM) em humanos, bem como para a presença de resíduos de antimicrobianos em alimentos de origem animal. Enquanto intervenientes fundamentais no setor pecuário, os produtores desempenham um papel essencial nos esforços coletivos para reduzir o UAM. Este estudo transversal, baseado num questionário por, teve como objetivo avaliar as medidas de biossegurança implementadas em explorações de pequenos ruminantes e analisar os conhecimentos, atitudes e práticas (CAP) dos produtores relativamente ao UAM, à RAM e aos resíduos de antimicrobianos. Responderam ao questionário 381 produtores de pequenos ruminantes. A maioria dos produtores que responderam ao questionário era do género masculino (79,3%), tinha mais de 40 anos (61,6%) e mais de 20 anos de experiência profissional (54,6%). A grande maioria dos produtores (91,3%) confirmou que utilizava antibióticos e 75,6% afirmou que armazenava estes medicamentos na exploração. A pontuação média de biossegurança obtida pelos produtores foi de 8,4 numa escala de 0 a 17. As medidas de biossegurança mais frequentemente implementadas incluíram o armazenamento adequado da alimentação animal (85,0%) e a eliminação correta de cadáveres (70,3%). Observaram-se associações estatisticamente significativas entre a pontuação de biossegurança e as habilitações académicas, experiência profissional, localização da exploração, espécies produzidas, objetivo produtivo e sistema de produção. Relativamente ao conhecimento, a grande maioria dos produtores identificou corretamente o objetivo terapêutico dos antibióticos (92,1%) e compreendiam o conceito de intervalo de segurança (83,2%). Contudo, apenas 40,4% responderam corretamente à questão relativa ao efeito terapêutico dos antibióticos. Observaram-se associações estatisticamente significativas entre os níveis de conhecimento e as variáveis demográficas, faixa etária, experiência profissional, habilitações académicas, sistema de produção e modo de produção. Em relação às atitudes, 22% dos produtores não consultavam sempre o Médico Veterinário antes da administração de antibióticos, embora 31,8% admitissem interromper o tratamento antes do período recomendado. Observaram-se associações estatisticamente significativas entre a pontuação das atitudes e as habilitações académicas e a experiência profissional dos produtores. Relativamente às práticas, apenas 47,8% dos produtores afirmaram registar a utilização de antibióticos no livro de medicamentos. Também neste caso se observaram associações estatisticamente significativas entre o nível das práticas e as variáveis demográficas, habilitações académicas, experiência profissional, localização da exploração e objetivo produtivo. Observaram-se correlações estatisticamente significativas entre biossegurança, conhecimentos, atitudes e práticas. Receberam formação 363 produtores, tendo-se um aumento significativo do conhecimento autodeclarado pelos participantes após a formação (p<0,001). Os resultados evidenciam lacunas importantes na utilização responsável de antibióticos em pequenos ruminantes em Portugal, reforçando a necessidade de programas de formação direcionados aos produtores.
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